A indústria goiana acumula queda de 4,4% nas vendas de janeiro a setembro, segundo o IBGE, e não acredita mais numa recuperação neste ano. Só em setembro o setor registrou queda de 8,2%, comparado com o mesmo mês de 2020. Ou seja: as indústrias goianas devem fechar 2021 com produção e vendas menores que no ano passado, mesmo com as medidas de restrições econômicas impostas pela pandemia da Covid-19.
Nem mesmo as vendas de fim de ano, em que o comércio goiano espera alguma melhoria, devem repercutir positivamente para as indústrias, segundo Sandro Mabel, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg). “Esse não é um período de aumento na produção. O incremento na atividade para atender ao aumento de vendas ocorre meses antes. O fim do ano acaba sendo caracterizado por férias coletivas e redução da produção”, diz.
Mabel vê nos dados do IBGE para a indústria uma conjuntura ruim no geral, mas com nichos diferenciados, de resultados localizados melhores, como nas indústrias alimentícias e farmacêuticas. Ambas com muita importância no PIB estadual, têm conseguido se manter em bom ritmo de operação, apesar da pandemia. Preocupação maior neste momento, complementa Mabel, é com relação à inflação e aumento da taxa de juros.
“A cada reunião do Copom, a expectativa de novo aumento se consolida. Já é esperada uma taxa Selic de 10,25% para 2022, e isso com certeza vai impactar o acesso ao crédito e os investimentos produtivos”, afirma o presidente da Fieg. Segundo ele, o calendário eleitoral do ano que vem também aumenta as incertezas do cenário econômico. Tanto os empresários quanto seus dirigentes mostram-se preocupados com a conjuntura econômica que os indicadores apontam para o próximo ano.