O Orçamento Secreto, recurso pelo qual parlamentares destinam recursos a suas bases eleitorais sem se identificarem, entrou na mira da equipe de transição do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Como alternativa para custear programas sociais e promessas de campanha. O assunto foi um dos principais temas da reunião de ontem entre o petista e o vice Geraldo Alckmin (PSB), coordenador da transição pelo lado do futuro governo, junto com integrantes da bancada petista.
Mesmo deixando para 2024 a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, programas sociais e investimentos que estimulem o desenvolvimento demandariam R$ 175 bilhões extras. Alckmin se reúne nesta terça-feira (8/11) em Brasília com o relator do Orçamento, Marcelo Castro (MDB-PI) e com o presidente da comissão de orçamento, Celso Sabino (União-PA), e um dos temas será o remanejamento de emendas do relator — o dito Orçamento secreto — para esses programas.
O principal mecanismo para conseguir esses recursos, entretanto, continua sendo a chamada PEC da Transição. A equipe de Lula gostaria de ver aprovada até 15 de dezembro, mas que implica negociação com o Centrão. O líder do PT na Câmara, Reginaldo Lopes (PT-MG), defende que a PEC retire em definitivo do teto de gastos o Auxílio Brasil. Que, aliás, deve voltar a se chamar Bolsa Família.
Equipe de transição
A equipe de transição do próximo governo deve ser anunciada nesta terça-feira (8/11) por Geraldo Alckmin. Alguns nomes, porém, já são conhecidos. Ontem o deputado eleito Guilherme Boulos (PSOL-SP) anunciou que atuará na área de cidades e habitação. Outra função já decidida é a da futura primeira-dama, Rosângela da Silva. Conhecida como Janja, a socióloga dever ser a responsável pela organização da cerimônia de posse.
O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) disse ontem que todos os partidos aliados já fizeram suas indicações para a equipe de transição e que esses nomes não têm relação com a futura composição do Ministério de Lula.